domingo, 20 de dezembro de 2020

Racismo

Antes de falar do racismo, temos de saber distinguir que: racismo, discriminação e preconceito não são, exatamente, a mesma coisa. 

Discriminação é o ato de diferenciar, de tratar pessoas de modo diferente por diversos motivos;

Preconceito é um julgamento sem conhecimento de causa, ou seja, julgar algo ou alguém sem antes conhecer;

O racismo é uma forma de preconceito ou discriminação motivada pela cor da pele ou origem étnica. Pensando na extensão dos conceitos, o racismo está dentro dos conjuntos “preconceito” e “discriminação”, mas não os esgota.

O racismo ocorre principalmente de três maneiras:

Quando há crime de ódio ou discriminação racial direta: essa forma de manifestação do racismo é mais evidente. Trata-se de situações em que pessoas são difamadas, violentadas ou têm o acesso a algum tipo de serviço ou lugar negado por causa da sua cor ou origem étnica.


Quando há o racismo institucional: menos direta e evidente, essa forma de discriminação racial ocorre por meios institucionais, mas não explicitamente, contra indivíduos devido à sua cor. São exemplos dessa prática racista as abordagens mais violentas da polícia contra pessoas negras e a desconfiança de agentes de segurança e de empresas contra pessoas negras, sem justificações coerentes.

Os protestos dos supremacistas brancos em Charlottesville

Quando há o racismo estrutural: menos perceptível ainda, o racismo estrutural está cristalizado na cultura de um povo, de modo a que, muitas vezes, nem parece racismo. A presença do racismo estrutural pode ser percebida na constatação de que poucas pessoas negras ou de origem indígena ocupam cargos de chefia em grandes empresas; de que, nos cursos das melhores universidades, a maioria esmagadora quando não a totalidade de estudantes é branca; ou quando há a utilização de expressões linguísticas e piadas racistas. A situação fica ainda pior quando as ações ou constatações descritas são tratadas com normalidade.



Causas do racismo

Para entendermos as causas do racismo nos dias de hoje, precisamos, primeiro, retomar fatores que ocorreram, principalmente, nos séculos XVI e XVII. A expansão comercial europeia e a colonização do continente americano desembocaram em um dos maiores absurdos que o homem branco europeu já foi capaz de cometer: a escravização dos povos africanos e o genocídio indígena.

Na tentativa de justificar o domínio e a posse sobre as vidas daquelas pessoas, os europeus formularam diversas teorias de supremacia racial, apontando que a raça branca seria superior, dotada de maior capacidade intelectual e de domínio e, portanto, apta a possuir a tutela sobre raças consideradas inferiores. Relatos historiográficos chegam a revelar que os negros eram considerados, na época, animais incapazes de ter sentimento e desprovidos de alma.

O início do século XIX foi marcado pela alta industrialização dos centros urbanos europeus e pelo pensamento positivista, que herdou do Iluminismo uma postura crítica em relação ao conhecimento de senso comum. A necessidade de fundamentação científica das teorias sociais fazia-se cada vez mais presente, fazendo com que surgissem a Sociologia e a Psicologia tais como as conhecemos hoje. Também surgiram, nesse período, tentativas de justificação estapafúrdias, mas supostamente embasadas em conhecimentos científicos rigorosos, da hierarquia cognitiva das raças.




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