Antes de falar do racismo, temos de saber distinguir que: racismo, discriminação e preconceito não são, exatamente, a mesma coisa.
Discriminação é o ato de diferenciar, de tratar pessoas de modo diferente por diversos motivos;
Preconceito é um julgamento sem conhecimento de causa, ou seja, julgar algo ou alguém sem antes conhecer;
O racismo é uma forma de preconceito ou discriminação motivada pela cor da pele ou origem étnica. Pensando na extensão dos conceitos, o racismo está dentro dos conjuntos “preconceito” e “discriminação”, mas não os esgota.
O racismo ocorre principalmente de três maneiras:
Quando há crime de ódio ou discriminação racial direta: essa forma de manifestação do racismo é mais evidente. Trata-se de situações em que pessoas são difamadas, violentadas ou têm o acesso a algum tipo de serviço ou lugar negado por causa da sua cor ou origem étnica.
Quando há o racismo institucional: menos direta e evidente, essa forma de discriminação racial ocorre por meios institucionais, mas não explicitamente, contra indivíduos devido à sua cor. São exemplos dessa prática racista as abordagens mais violentas da polícia contra pessoas negras e a desconfiança de agentes de segurança e de empresas contra pessoas negras, sem justificações coerentes.
Quando há o racismo estrutural: menos perceptível ainda, o racismo estrutural está cristalizado na cultura de um povo, de modo a que, muitas vezes, nem parece racismo. A presença do racismo estrutural pode ser percebida na constatação de que poucas pessoas negras ou de origem indígena ocupam cargos de chefia em grandes empresas; de que, nos cursos das melhores universidades, a maioria esmagadora quando não a totalidade de estudantes é branca; ou quando há a utilização de expressões linguísticas e piadas racistas. A situação fica ainda pior quando as ações ou constatações descritas são tratadas com normalidade.
Na tentativa de justificar o domínio e a posse sobre as vidas daquelas pessoas, os europeus formularam diversas teorias de supremacia racial, apontando que a raça branca seria superior, dotada de maior capacidade intelectual e de domínio e, portanto, apta a possuir a tutela sobre raças consideradas inferiores. Relatos historiográficos chegam a revelar que os negros eram considerados, na época, animais incapazes de ter sentimento e desprovidos de alma.
O início do século XIX foi marcado pela alta industrialização dos centros urbanos europeus e pelo pensamento positivista, que herdou do Iluminismo uma postura crítica em relação ao conhecimento de senso comum. A necessidade de fundamentação científica das teorias sociais fazia-se cada vez mais presente, fazendo com que surgissem a Sociologia e a Psicologia tais como as conhecemos hoje. Também surgiram, nesse período, tentativas de justificação estapafúrdias, mas supostamente embasadas em conhecimentos científicos rigorosos, da hierarquia cognitiva das raças.



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