Olá, falar de desigualdades sociais nos tempos em que vivemos parece-nos algo natural, na medida em que a nossa sociedade se pauta por diferenças abismais entre ricos e pobres seja em que parte do mundo for. Porém, será que já paramos para pensar de ondem vêm essas desigualdades? Será que já conseguimos perceber os motivos que as originaram? Haverá soluções que consigam por um fim ou atenuar estas diferenças? Na verdade, se recuarmos milhares de anos atrás no tempo percebemos que as diferenças sociais surgiram exatamente quando se formaram as primeiras comunidades do período Neolítico. Pela primeira vez, as diferentes funções atribuídas a cada indivíduo ou grupo de indivíduos ditou a sua “responsabilidade social” e, a partir daí aquilo que cada um “ganharia” pelo seu trabalho dependeria do seu esforço e da sua proatividade. Certo é que os tempos evoluíram e as primeiras grandes civilizações formaram-se junto dos grandes rios e é de notar a estratificação social que havia entre os vários grupos dessas sociedades. A título de exemplo a sociedade egípcia era formada por várias classes desde os escrivas, aos sacerdotes, a plebe(formada pelos artesões e camponeses ) e ainda os escravos, pessoas sem qualquer liberdade. Embora a escravatura tenha sido abolida muitos séculos mais tarde, em algumas sociedades ela continua claramente presente, sobretudo nos países do Terceiro Mundo onde a escravidão infantil é ainda uma dura realidade, que parece estar longe de acabar.
Ora, sabemos que não existem sociedades perfeitas e, portanto, a grande parte das sociedades ocidentais é composta pela classe dirigente(membros do governo);por uma classe alta ou média alta ,a qual detêm a grande parte dos meios de produção e de riqueza; e ainda, a classe baixa, onde se encontram os trabalhadores assalariados e até aqueles que vivem de um subsídio ou rendimento. Não podemos esquecer aqueles que vivem à margem da sociedade e que são vistos muitas vezes e tratados de forma discriminatória, falamos dos mendigos, dos toxicodependentes das mulheres que se dedicam à prostituição a até os sem-abrigo. Não podemos fechar os olhos a esta dura realidade que é comum a muitas sociedades e, cada dia que passa, existem mais movimentos sociais na luta pela defesa dos direitos dos mais desfavorecidos. Quando falamos de movimentos sociais não estamos só e necessariamente a referir-nos à queles que defendem os direitos das minorias,(no caso das etnias ou dos grupos minoritários com diferentes atitudes e diferentes valores, como é o caso dos homossexuais,...) Os movimentos sociais podem podem reivindicar ou lutar por uma causa social, procurando, por exemplo a igualdade no acesso aos direitos de género, de acesso às mesmas oportunidades de trabalho, de saúde e até educação e ainda de respeito pelos diferentes valores culturais, religiosos e históricos.
https://i1.wp.com/www.folhadoprogresso.com.br/wp-content/uploads/2019/03/mulher-dia.jpg?resize=800%2C445&ssl=1
A cada dia que passa somos confrontados por uma “onda” de novos movimentos sociais que nos fazem refletir, ainda que o tempo que lhes disponibilizamos seja muito pouco quando comparado com a importância que eles têm na nossa vida. Se nos finais do século XIX e inícios do século XX ,houve as primeiras tentativas de abolição de escravatura e defesa dos direitos dos cidadãos, os quais ficaram consagrados na Declaração Universal dos Direitos Humanos, no século XXI é pautado por uma luta acérrima na defesa do Planeta, nomeadamente na salvaguarda das questões ambientais e na preservação da qualidade de vida do ser humano. A ecologia é cada vez mais um pilar fundamental nas sociedades contemporâneas e há uma necessidade urgente de preservar o pouco que ainda nos resta.
https://poderpopular.info/wp-content/uploads/2019/09/Manifestaci%C3%B3n-No-hay-futuro-sin-el-
Por outro lado, as questões sociais ditam também a forma como nos relacionamos com os outros e como somos capazes de aceitar as diferenças do nosso semelhante . Nesse sentido, a homossexualidade tem sido um dos temas mais abordados no âmbito social, pois antes era visto como uma espécie de “doença”, e hoje finalmente já é entendida apenas como uma diferente manifestação da chamada sexualidade “normal”(heterossexualidade). Vários têm sido os estudos feitos nesta área que vêm comprovar que a homossexualidade é algo que sempre existiu desde as sociedades mais primitivas. Deste modo, é natural que os movimentos sociais em prol dessa causa sejam cada vez mais comuns, e que ganhem cada vez mais adeptos e façam cada vez mais sentido ”todos diferentes todos iguais”. Não esqueçamos que, assim como as feministas do século XX, as quais lutaram pelo direito ao voto, pela participação ativa na vida política e social e até pelo reconhecimento da igualdade de género no trabalho e na educação, também nós cidadãos do séc. XX, temos o direito e o dever de lutar por uma sociedade cada vez mais justa e com menos desigualdades. Para isso, não basta dizermos “Chega”! Há que trabalhar nesse sentido e ajudar a atenuar sobretudo o abismo que existe entre ricos e pobres, poderosos e oprimidos, grandes e pequenos. Tal como dizia o Padre António Vieira, ”tudo aquilo é andarem buscando os homens como hão de comer e como se hão de comer.” Precisamos de homens que sejam capazes de concretizar essa mudança: ”há homens que são como as velas; sacrificam-se, queimando-se para dar luz aos outros”.-Padre António Vieira.
Maria Ferreira
Sem comentários:
Enviar um comentário
Nota: só um membro deste blogue pode publicar um comentário.