Violência Intrafamiliar
É considerado como uma forma de violência intrafamiliar qualquer ação que afete negativamente o bem-estar, a integridade física/psicológica de uma parte da família.
Mais conhecida como violência doméstica, é representada pelas ações de um certo indivíduo/os que fazem parte do grupo família (parente, filhos, tios, irmãos, etc) que procura causar danos físicos e emocionais a outro membro desse grupo.
Existem várias formas de violência doméstica: física, psicológica e sexual.
VIOLÊNCIA FÍSICA
Ocorre quando o abusador causa ou tenta causar danos por meio de força física, com ou sem armas. Essa violência pode causar várias consequências físicas (hematomas) ou psicológicas (traumas). Dependendo da gravidade, os danos podem ser temporários, permanentes ou até mesmo mortais.
O facto de tradicionalmente uma certa violência no interior da família ter sido socialmente aceite, como o pai ou a mãe dar uma bofetada nos filhos e mesmo isso acontecer entre cônjuges, fez com que durante muito tempo estas situações fossem consideradas normais por parte de agressores e vítimas. Os ditados populares ”entre marido e mulher ninguém mete a colher” ou “quanto mais me bates, mais gosto de ti” espelham a aceitação cultural desta forma de violência. Culturalmente, também os crimes passionais eram olhados com compreensão, sobretudo se fossem praticados por homens para defesa da sua honra. Em Portugal, só na década de 70 e em virtude da ação dos grupos feministas, a violência doméstica começou a ser denunciada e encarada como um problema. Hoje, estes fenómenos são considerados crimes, no plano jurídico e social, daí que as situações sejam mais noticiadas e sobretudo mais participadas à polícia
Exemplos podem ser oferecer porrada após uma má nota, durante uma discussão e como forma de castigo.
VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA
Algumas pessoas utilizam o termo "violência doméstica" para abranger a violência psicológica e mental, que pode consistir em agressões verbais repetidas, perseguição, clausura e privação de recursos físicos, financeiros e pessoais. A violência é parte integrante da dinâmica de muitas famílias, tanto nos países desenvolvidos como nos subdesenvolvidos e surge em qualquer classe social. É toda ação que procura causar dano à autoestima, à identidade ou ao desenvolvimento da pessoa. Coisas como ameaças, humilhações, agressões, chantagem, discriminação, exploração, não deixar a pessoa sair de casa, impedir que a pessoa utilizar seu próprio dinheiro, etc são exemplos de violência psicológica.
NEGLIGÊNCIA
É a ausência de responsabilidade de um ou mais membros da família em relação a outro, sobretudo com aqueles que precisam de ajuda por questões de idade (bebés abandonados em carros) ou alguma condição específica, permanente ou temporária (abandono de um parente por causa de distúrbios mentais). É sinónimo de abandono, falta de cuidado e de atenção, desinteresse, etc.
Como identificar violência
Manchas no corpo (queimadura, mordida, corda, sangue, hematoma); Ausência ou atraso na escola, dificuldade de concentração; Problemas no sono (ausência/sonolência); Problemas alimentares (comer demais ou de menos); Várias mudanças de comportamento extremas como agressão ou timidez extrema; Medo e receio de ficar na companhia de determinada pessoa.
Violência doméstica em Portuga
Em Portugal, só na década de 70 e em virtude da ação dos grupos feministas, a violência doméstica começou a ser denunciada e encarada como um problema. Segundo dados estatísticos e na maioria dos casos reportados, existia uma relação próxima da vítima com o agressor, sendo a violência exercida sobretudo no seio da família e tendo como vítimas mulheres e/ou filhas (em 82% dos casos as vítimas são do sexo feminino, segundo o relatório de 2013 da APAV).
São do conhecimento geral diversas situações em que as relações familiares assumem por vezes aspectos cruéis, nomeadamente na sociedade portuguesa, em que a violência sobre as mulheres e as crianças tem sido mais frequentemente noticiada. Se por um lado a vida familiar pode ser calorosa e harmónica, as situações de violência provocadas por tensões e desespero são cada vez mais conhecidas. Este do oculto da vida familiar contrasta com certas imagens que nos são transmitidas pelos meios de comunicação social, por exemplo através da publicidade, em que a família aparece como um lugar de plena felicidade.
CONCLUSÃO
Pelo facto de, atualmente, serem conhecidas mais situações de violência física, psicológica e de abuso sexual, que se desenvolvem no quadro das relações familiares portuguesas, isso não significa necessariamente que a violência intrafamiliar tenha aumentado, mas que cada vez mais se consideram estas situações como indignas e intoleráveis.
Luís Vinagre, n12
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