Os sistemas sociais produzem um conjunto de desigualdades socias, estruturando-se, entre outras formas, através das classes socias.
Classes sociais são grupos cujos membros, são portadores de
recursos e montantes semelhantes, com condições de existência semelhantes, e a
desenvolver afinidades nas suas práticas e representações sociais, isto é,
naquilo que fazem e naquilo que pensam.
Quando nascemos, herdamos, desde logo, um determinado lugar
de classe - o dos nossos pais e da nossa família. Mesmo não sendo uma herança
inultrapassável, acaba por condicionar o percurso de cada um. Tendo cada um, um
conjunto de ferramentas e de recursos distintos que permitem alcançar
objetivos, uns mais do que outros, estas permitem alcançar projetos de vida.
Assim, as classes sociais, são um poderoso lugar de
socialização formando uma conjuntura onde aprendemos um conjunto de normas,
valores, comportamentos, maneiras de agir, pensar e sentir, por transmissão
permanente, ou seja, quer as condições objetivas de vida, quer a definição de
projetos e de aspirações, condicionam a nossa existência material e simbólica.
As classes sociais constituem um motor de constrangimentos e
possibilidades sociais desigualmente repartidos, sendo transmitidos através da
linguagem que os pais, familiares, amigos e professores usam connosco, ou mesmo
através das espectativas e sanções que vamos mutuamente construindo nas
interações.
Quando pertencemos a uma classe social, desenvolvemos uma
certa consciência de pertença a uma classe e se tentamos subir o nosso estatuto
social desenvolvemos conflitos de classes.
Uma estrutura de classes mostra o cariz relacional das
posições sociais, em que umas se definem em relação ás outras. O conjunto das
posições sociais forma o espaço social.
Ao longo da história da literatura sociológica, o conceito
de classe social abrange diferentes conceções, que divergem conforme o critério
que adotam para as classificar.
Nas sociedades capitalistas, esse critério é
predominantemente económico, mas, em algumas conceções, podem vincular outros
aspetos, como escolaridade, o contributo cultural ou poder
político.
Segundo Karl Mark (1818-1883), pioneiro na definição de
Classes Sociais, estas devem-se ao antagonismo entre dois grupos: grupos de opressores e oprimidos. Na história
das sociedades a antagonização revê-se na sociedade antiga, onde haviam
senhores e escravos; na sociedade medieval, suseranos e vassalos; na sociedade
moderna, capitalistas e trabalhadores.
Para os teóricos, essa luta de classes teria fim quando não
houvesse grupos de opressores e oprimidos.
Para o sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002), a posição que
ocupamos no espaço social define-se tendo em conta a concentração ou rarefação
dos capitais que possuímos: o capital económico, que nos permite a aquisição de
bens e serviços; o capital social entendido como a capacidade de estabelecer
relações sociais proveitosas; o capital cultural em particular o capital
escolar e o capital simbólico onde constam a honra, o prestígio e a autoestima.
Bourdieu afirma que agentes que ocupam posições
relativamente próximas no espaço social e estão expostas a condições económicas
e culturais semelhantes, têm uma maior probabilidade de possuírem práticas e
atitudes análogas.
Assim, apercebemo-nos que um dos elementos mais comuns nas
sociedades é a desigualdade social, desenvolvendo-se o conceito de
estratificação para demonstrar, claramente, as desigualdades presentes em todas
as sociedades.
Um exemplo atual que remonta à história dos nossos
antepassados, são as Castas.
As Castas são um sistema que divide os hindus em rígidos
grupos hierárquicos baseados em seu karma (trabalho)
e dharma (a palavra hindu para religião, embora aqui signifique
dever).
O sistema de castas divide os hindus em quatro categorias
principais: Brahmins, que eram principalmente professores e intelectuais;
Kshatriyas, guerreiros e governantes; Vaishyas, mercadores e Shudras que se
ocupavam por todos os trabalhos braçais.
Ainda para Bourdieu, a subjetividade dos agentes (a forma
como agem, pensam e sentem) é influenciada e moldada pelas desigualdades
estruturais de uma sociedade. Apesar de haver uma correspondência entre classes
sociais e estilos de vida, é tendencionalmente verdade que duas pessoas que partilhem
a mesma classe social (ou a mesma posição no espaço social) terão uma serie de
afinidades de estilos de vida – isto é, de gosto, práticas, linguagens e
maneiras de ser, agir e pensar. Cada individuo é capaz de filtrar, selecionar e
interpretar os ensinamentos e as aprendizagens de forma especifica.
Em suma, falar de classes sociais é falar de estruturas e de
sistemas duradouros de diferenças entre indivíduos que ocupam distintos lugares
de classes.

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