domingo, 6 de junho de 2021

Classes Sociais

Os sistemas sociais produzem um conjunto de desigualdades socias, estruturando-se, entre outras formas, através das classes socias.

Classes sociais são grupos cujos membros, são portadores de recursos e montantes semelhantes, com condições de existência semelhantes, e a desenvolver afinidades nas suas práticas e representações sociais, isto é, naquilo que fazem e naquilo que pensam.

Quando nascemos, herdamos, desde logo, um determinado lugar de classe - o dos nossos pais e da nossa família. Mesmo não sendo uma herança inultrapassável, acaba por condicionar o percurso de cada um. Tendo cada um, um conjunto de ferramentas e de recursos distintos que permitem alcançar objetivos, uns mais do que outros, estas permitem alcançar projetos de vida.

Assim, as classes sociais, são um poderoso lugar de socialização formando uma conjuntura onde aprendemos um conjunto de normas, valores, comportamentos, maneiras de agir, pensar e sentir, por transmissão permanente, ou seja, quer as condições objetivas de vida, quer a definição de projetos e de aspirações, condicionam a nossa existência material e simbólica.

As classes sociais constituem um motor de constrangimentos e possibilidades sociais desigualmente repartidos, sendo transmitidos através da linguagem que os pais, familiares, amigos e professores usam connosco, ou mesmo através das espectativas e sanções que vamos mutuamente construindo nas interações.

Quando pertencemos a uma classe social, desenvolvemos uma certa consciência de pertença a uma classe e se tentamos subir o nosso estatuto social desenvolvemos conflitos de classes.

Uma estrutura de classes mostra o cariz relacional das posições sociais, em que umas se definem em relação ás outras. O conjunto das posições sociais forma o espaço social.

Ao longo da história da literatura sociológica, o conceito de classe social abrange diferentes conceções, que divergem conforme o critério que adotam para as classificar.

Nas sociedades capitalistas, esse critério é predominantemente económico, mas, em algumas conceções, podem vincular outros aspetos, como escolaridade, o contributo cultural ou poder político.

Segundo Karl Mark (1818-1883), pioneiro na definição de Classes Sociais, estas devem-se ao antagonismo entre dois grupos:  grupos de opressores e oprimidos. Na história das sociedades a antagonização revê-se na sociedade antiga, onde haviam senhores e escravos; na sociedade medieval, suseranos e vassalos; na sociedade moderna, capitalistas e trabalhadores. 

Para os teóricos, essa luta de classes teria fim quando não houvesse grupos de opressores e oprimidos.

Para o sociólogo Pierre Bourdieu (1930-2002), a posição que ocupamos no espaço social define-se tendo em conta a concentração ou rarefação dos capitais que possuímos: o capital económico, que nos permite a aquisição de bens e serviços; o capital social entendido como a capacidade de estabelecer relações sociais proveitosas; o capital cultural em particular o capital escolar e o capital simbólico onde constam a honra, o prestígio e a autoestima.

Bourdieu afirma que agentes que ocupam posições relativamente próximas no espaço social e estão expostas a condições económicas e culturais semelhantes, têm uma maior probabilidade de possuírem práticas e atitudes análogas.

Assim, apercebemo-nos que um dos elementos mais comuns nas sociedades é a desigualdade social, desenvolvendo-se o conceito de estratificação para demonstrar, claramente, as desigualdades presentes em todas as sociedades.

Um exemplo atual que remonta à história dos nossos antepassados, são as Castas.

As Castas são um sistema que divide os hindus em rígidos grupos hierárquicos baseados em seu karma (trabalho) e dharma (a palavra hindu para religião, embora aqui signifique dever).

O sistema de castas divide os hindus em quatro categorias principais: Brahmins, que eram principalmente professores e intelectuais; Kshatriyas, guerreiros e governantes; Vaishyas, mercadores e Shudras que se ocupavam por todos os trabalhos braçais.

Ainda para Bourdieu, a subjetividade dos agentes (a forma como agem, pensam e sentem) é influenciada e moldada pelas desigualdades estruturais de uma sociedade. Apesar de haver uma correspondência entre classes sociais e estilos de vida, é tendencionalmente verdade que duas pessoas que partilhem a mesma classe social (ou a mesma posição no espaço social) terão uma serie de afinidades de estilos de vida – isto é, de gosto, práticas, linguagens e maneiras de ser, agir e pensar. Cada individuo é capaz de filtrar, selecionar e interpretar os ensinamentos e as aprendizagens de forma especifica.

Em suma, falar de classes sociais é falar de estruturas e de sistemas duradouros de diferenças entre indivíduos que ocupam distintos lugares de classes.




Mariana Carvalho


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