As diferenças de comportamento entre homens e mulheres são explicadas usualmente através das diferenças naturais e biológicas, porém não é a forma correta de abordar a questão. Com o conhecimento e estudo de diferentes culturas foi possível compreender que os comportamentos dos indivíduos, homens e mulheres, são influenciados socialmente. De forma a clarificar as influências dos aspetos naturais e sociais nas diferenças entre homens e mulheres, os sociólogos distinguem sexo de género. Sexo distingue homens e mulheres, é uma distinção geneticamente determinada e universal, já género é o termo utilizado para designar as características psicológicas, sociais e culturais associadas aos indivíduos do sexo masculino e do sexo feminino. Assim sendo, o facto de um indivíduo nascer, biologicamente, homem ou mulher não lhe impõe os papéis que, numa determinada sociedade, estão atribuídos aos homens e às mulheres. Desde que nascemos vamos aprendendo, sem darmos por isso, a ser mulheres ou homens- vamos construindo a nossa feminilidade ou masculinidade. Quer dizer que cada sociedade constrói os seus próprios conceitos de masculino e feminino, isto é, das características consideradas masculinas e femininas, e os indivíduos interiorizam essas características através do processo de socialização- Socialização de género.
A orientação sexual refere-se ao que cada pessoa pensa e sente sobre si própria, sobre a sua afetividade e sexualidade e por quem se sente atraído afetiva e sexualmente. Uma pessoa é considerada heterossexual se se sente atraída por pessoas do género oposto, homossexual se se sente atraída por pessoas do mesmo género e bissexual se se sente atraída por pessoas de ambos os géneros. Existem ainda outras formas de orientação sexual como a pansexualidade, a assexualidade e a demissexualidade. A discriminação de orientação sexual é a discriminação contra uma pessoa ou grupo com base na sua orientação sexual. É uma predisposição tendenciosa contra lésbicas, gays, e bissexuais, entre outros. Socialmente, a discriminação de orientação sexual é uma realidade em Portugal, embora tenha sido o oitavo país do mundo a realizar casamentos civis homossexuais. Apesar de este ter sido um progresso importante na luta pelos direitos LGBTQI+ a violência contra a comunidade é frequente.
Ao longo da vida, são esperados dos indivíduos determinados comportamentos, atitudes, formas de pensar e de sentir adaptados às mais variadas situações e contextos sociais. Aspetos como os papéis nos rituais de acasalamento, as funções exercidas na família, os desempenhos profissionais, as interações com as pessoas do mesmo sexo e do sexo oposto, as manifestações de emoção e de força, a linguagem corporal e os interesses intelectuais e culturais são fortemente condicionados pela identidade de género. A construção da identidade de género depende de numerosos fatores que interagem. A feminilidade e a masculinidade dependem muito da socialização de género. Desde que nascemos que vamos interiorizando na família, na escola, no grupo desportivo, através dos meios de comunicação social de forma inconsciente, os papéis sociais femininos e masculinos. Existem três tipos principais quando se fala em identidade de género. Cisgénero é a pessoa que se identifica com o sexo biológico designado no momento de seu nascimento, transgénero é quem se identifica com um género diferente daquele atribuído no nascimento e não-binário corresponde a identidades de género que não são masculinas ou femininas, estando portanto fora do binário de género e da cisnormatividade. Alguns exemplos de identidade de género não-binárias são: género fluido, andrógino e intersexo. Quanto a transexuais são todos os indivíduos que manifestam características comportamentais de um género diferente do seu sexo biológico. Ou seja, a pessoa pode ter nascido com o órgão sexual masculino, mas não se identifica com o género masculino, identificando-se pelo género oposto. Nem sempre esse comportamento é compreendido pela sociedade que, por falta de conhecimento, reforça atitudes preconceituosas contra os pertencentes desta minoria. Tais práticas precisam de ser combatidas para evitar o sofrimento psicológico resultante da opressão dos transgéneros.
Os papéis de género referem-se a um conjunto de padrões e expectativas de comportamentos que são aprendidos em sociedade correspondentes aos diferentes géneros. São a manifestação social ou a representação social do que é ser de um determinado género, em diferentes culturas ou mesmo dentro de uma mesma cultura. Muito praticado pela sociedade, desde quando nascemos são atribuídos muitos estereótipos, por exemplo, a cor azul é de menino e a cor rosa é de menina. Ou mesmo nos presentes oferecidos às crianças: os meninos usualmente recebem carrinhos e as meninas bonecas. Todos esses padrões foram desenvolvidos pela sociedade, no entanto, devemos ter cuidado ao praticar esses modelos, uma vez que não são fixos e carregam aspetos negativos. Alguns dos estereótipos de género frequentes relacionados com o género feminino são características como sensível ou sentimental e quanto ao género masculino ambicioso e viril.
A desigualdade de género é um problema de há décadas, porém ainda atual. Desde os primórdios da humanidade, a maioria dos povos caminhou para o desenvolvimento de sociedades patriarcais, em que o homem detinha o poder em todas as fações da vida social. Esse modelo encontra-se desde o âmbito familiar até ao âmbito público o que se reflete em inúmeras áreas com o exemplo: há mais mulheres pobres do que homens pobres, há mais desempregadas do que desempregados, as mulheres passam mais tempo que os homens a fazer trabalhos domésticos, para a mesma função e categoria socioprofissional, os homens ganham tendencialmente mais do que as mulheres apesar dos francos progressos na escolarização feminina e ainda os principais lugares de topo continuam a ser ocupados por homens. As formas de discriminação entre homens e mulheres começaram a ser postas em causa pelos movimentos feministas. Primeiro, as sufragistas, com a luta pelo direito ao voto, depois outros movimentos, lutando pela igualdade de direitos. Desta forma, as mulheres foram mostrando na prática, a sua capacidade para o desempenho dos mais variados papéis. Atualmente, na sociedade ocidental, as mulheres já desempenham papéis anteriormente apenas atribuídos aos homens, no plano dos direitos formais, existe igualdade entre homens e mulheres. Mas existir, no plano formal, igualdade de direitos não significa que não continuem a persistir desigualdades entre homens e mulheres.
Rita Torres, Nº18, 12ºD.



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