sábado, 5 de junho de 2021

Novos tipos de famílias e papéis parentais

 




O CONCEITO DE FAMÍLIA

família é um grupo primário (grupo restrito que se baseia nas interações diretas entre os seus membros) de pessoas relacionadas umas com as outras por laços biológicos e legais 

família apresenta um papel fundamental. É através da inserção de um individuo na família que ele aprende e interioriza valores essenciais, normas gerais, práticas próprias e condutas básicas do meio social a que pertence. 



FAMÍLIA TRADICIONAL 


“A família tem estado sempre em mudança e as formas familiares, mesmo na Europa Ocidental, foram sempre muito diversas. O modelo “tradicional” é um modelo sobretudo simbólico, que resulta de processos históricos, económicos e sociais, mas também culturais.” - explica a socióloga Sílvia Portugal. 


Prevê-se que a família tradicional garanto bem-estar do grupo familiar e a renovação do elemento essencial da sociedade. Normalmente, as suas funções são: reprodutiva, social, económica socialização das crianças 


Para um casal se ajustar à definição clássica de “família”, deve haver um compromisso mútuo, criar filhos juntos e ter um sistema económico  compartilhado. A família nuclear é considerada a clássica e heterossexualEsses papéis tradicionais permaneceram teimosamente a norma por muito tempo.  



 FAMÍLIA MODERNA 


No decorrer das últimas décadas, as expectativas normativas das mães e pais mudaram. A menor prevalência do modelo tradicional de famílias abriu caminho à  formação de famílias alternativas. Atualmente, a maternidade não é vista como uma parte obrigatória da identidade e realização feminina. Assim, já não se espera que as mulheres/mães se casem, tenham filhos e abandonem o trabalho. Por outro lado, tornou-se cada vez mais comum que os pais tenham um papel mais ativo na criação e cuidado dos seus filhos. Este desenvolvimentos teve um grande impacto no surgimento de “famílias modernas”.  



CARACTERÍSTICAS DA FAMÍLIA MODERNA: 


Historiadores e sociólogos evidenciaram diversos fatores que contribuíram para transição da família tradicional para a moderna.  

 

O surgimento do casamento por amorna família tradicional, era visível o princípio da dominação masculina e obediência feminina. Já na família moderna, as pessoas estão menos sujeitas ao controle dos pais sobre com quem e quando se casarão. Hodiernamenteo casamento é uma escolha precedida de namoro ou paixão. 


Igualdade entre parceiros: na família moderna, a mulher não é submissa ao homem, mas sim uma parceira com direitos iguais. Podem optar pelo divórcio de forma unilateral e processar o companheiro/a.

 

Independência económicaas mulheres alcançaram um grau crescente de independência económica. Na contemporaneidade, ambos saem para trabalhar e a percentagem de mulheres empregadas fora de casa aumenta continuamente.  


Famílias menores: a tendência é ter uma família menor, para ser possível dedicarem-se a si e à sua carreira, mas também devido ao planeamento familiar e ao uso de contraceptivos. 


Declínio do controle religioso: com o declino da autoridade da religião sobre as condições de casamento e divórcio, o casamento tornou-se um contrato civil que pode ser anulado, em vez de um sacramento religioso onde o divorcio não é aceitável. 


Maior autonomia da criançadevido a alterções no conceito de parentalidade e à declaração universal dos direitos das criançasos pais ouvem as opiniões dos seus filhos em diversos aspectos das suas vidasHabitualmente, eles podem escolher em que escola irão estudar, que roupas irão vestir e quem serão os seus amigos. Além disso, na família moderna o castigo físico raramente é aplicado, sendo preferível uma discursão aberta. 



NOVOS TIPOS DE FAMÍLIAS 


Ao longo dos anos, a diversidade cultural e as mudanças sociais tem caracterizado a sociedade ocidental. A família tradicional -se substituída pelo um modelo conjugal, unido por laços emocionais, com um alto grau de privacidade doméstica e preocupação com a educação dos filhos. O processo de globalização, as migrações globais e a mudança dos papéis da mulher na sociedade têm servido de influência para a modificação dos padrões familiares. 


A variedade de padrões familiares étnicos, devido ao fenómeno das migrações, veio trazer uma multiplicidade de tipos de famílias. Podemos observar que, enquanto na comunidade indiana as relações têpor base a religiãotal como nos laços de parentesco e na prática de casamentos combinados. A comunidade africana regista muitos agregados monoparentais em que, tipicamente, a mulher é o sustento da família. 


De fato, a união – que ocorre quando um casal decide morar juntos e ter relações sexuais e amorosas sem haver casamento - é uma situação cada vez mais comum na sociedade ocidental. Apesar disto, por vezes, é situação temporária experimental que antecede o casamento. 


“A família atual já não corresponde ao esquema tradicional enaltecido pela sociedade industrial. As gerações já não coexistem sob o mesmo teto e a importância da autoridade paterna decresce à medida que se impõe a afetividade como valor essencial. Não existe desagregação mas a mutação profunda da família que, não se limitando a um modelo único, antes se desdobra em diversas modalidades de que tínhamos, até agora, nenhuma experiência.” Jean-Pierre Pourtouis, Hugutte Desmet e Christine Braga.  



TIPOS CONTEMPORÂNEOS DE FAMÍLIA 


Como já referido, nas últimas décadas, têm surgido novos tipos de famílias nas sociedades ocidentais, tais como: 


Agregados monoparentais:  

As famílias monoparentais são constituídas apenas por um adulto e seus filhos. Existem diversas situações que originam a monoparentalidade: a separação, o divórcio e a viuvez. Na grande maioria dos casos, o adulto destas famílias é uma mulher. Estas famílias foram durante muito tempo, alvo de discriminação social, nomeadamente as mães divorciadas, embora esses preconceitos tenham praticamente desaparecido nos meios urbanos. Por outro lado, a custódia partilhada dos filhos começa a ganhar adeptos, permitindo à mãe e ao pai constituirem dois agregados familiares autónomos mas partilhando os filhos (o sistema mais comum é as crianças passarem uma semana com a mãe e outra com o pai). Nos restantes casos, trata-se maioritariamente de famílias que enfrentam alguma fragilidade financeira pelo facto de subsistirem apenas com o rendimento de um adulto, vivendo em risco de pobreza e de exclusão social.  


Famílias recompostas: 

No inicio do século XX, a maioria dos segundos casamentos acontecia após a viuvez de um dos cônjuges.  Agora, com o aumento da taxa de divórcio, os segundos casamentos estão relativamente generalizados na nossa sociedade. Eles podem acontecer em diversas circunstâncias, obedecendo a diferentes combinações possíveis: pessoas jovens que não trazem filhos do anterior casamento, indivíduos que trazem filhos de casamentos anteriores que vêm viver com o novo cônjuge, indivíduos com filhos autónomos e de idade mais tardia que não o acompanha no seu novo agregado família  e casais que geram filhos no novo casamento. Quanto à situação dos noivos, um deles pode ter sido solteiro, casado ou viúvo. Quando pelo menos um dos cônjuges traz para o novo casamento um ou mais filhos do casamento anterior, referimo-nos a eles como “famílias recompostas”. 


Coabitação: 

coabitação é um forma de vida familiar na qual dois indivíduos mantêm uma relação sexual e amorosa estável, vivem em conjunto mas não efetuam um casamento. Esta situação – antigamente considerada socialmente escandalosa - é cada vez mais frequente entre os jovens, sobretudo como um período de experiência de vida em comum antes do casamento oficial. No entanto, as novas gerações parecem optar cada vez mais pela aceitação livre dos compromissos; a coabitação também pode acontecer por opção, indiciando algum desinteresse pelo casamento formal.  Em Portugal, a união de facto é reconhecida juridicamente. Em termos práticos, duas pessoas que vivem maritalmente e apresentem nas Finanças uma declaração conjunta de rendimentos durante dois anos consecutivos passam a ter os mesmos direitos (em termos fiscais) dos de um casal que tenha oficializado a sua união pelo casamento. Porém, os unidos de facto ainda não têm o benefício de alguns dos direitos inerentes ao casamento: o direito de visita em ambiente hospitalar e prisional, a definição do regime de bens, o direito à herança e a regulamentação da dissolução da união. 


Comunas:  

As comunas são formas de vivência familiar em que, por vezes, o relacionamento sexual é livre e a educação das crianças encontra-se entregue à comunidade. Nos anos 60, os hippies retomaram este modelo de vida e atualmente, ainda existem comunas em Israel – conhecidas como kibbutzim. 


“Geração canguru”:   

Grupo de jovens entre 25 e 34 anos que têm adiado a saída da casa dos pais. Segundo a especialistas, isto estar a ocorrer devido ao fato que atualmente os jovens têm se dedicado mais às realizações pessoais (como viajar), postergado o casamento e a constituição de família, dependendo mais financeiramente dos seus pais e por terem sentido dificuldades em saírem da sua zona de conforto. 


Casais homossexuais:

A evolução das mentalidades tem possibilitado a estabilização de relações entre casais do mesmo sexo que optam por viver maritalmente. Dado que a maioria dos países, sobretudo fora da Europa, não reconhecem oficialmente estas uniões, os casais assumem livremente os compromissos inerentes ao casamento, não tendo acesso aos mesmos direitos. Em Portugal, o casamento entre cidadãos homossexuais passou a estar juridicamente consagrado desde 2010, com todos os direitos e deveres já reconhecidos ao casamento heterossexual. 



NOVOS PAPÉIS FAMILIARES 


Os valores e comportamentos associados à família tem sido objeto de transformação, nomeadamente com a industrialização e globalização. Porém, essas mudanças não são padrões em todas sociedades. evolução dos papeis familiares esta intimamente ligada as transformações ocorridas na estrutura familiar. Desde logo, as famílias deixaram de ser unidades de produção económica, proibição do trabalho infantil e a instituição da escolaridade obrigatória tornaram a criança um foco de investimento para a famíliao papel da mulher foi alterado devido à atividade feminina no mercado de trabalho e houve um crescimento na partilha dos tarefas domésticos e na orientação da afetividade dos elementos da família. 



NOVOS PAPÉIS PARENTAIS 


Uma vez que o casamento deixa de fundar-se apenas em critérios económicos, o amor romântico ganha terreno e a intimidade emocional e sexual do casal passam a ser mais valorizados por ambos. A mulher, que  durante bastante tempo,  foi mantida dentro de portas como “dona de casa” - encarregada das tarefas domésticas e do cuidado com marido e filhos - tem reivindicado a igualdade de deveres e a partilha de tarefas domésticas e cuidados dos filhos. Atualmente, a mulher e o homem desempenham em simultâneo os papéis expressivo e instrumental. Ela passa a – tal como o marido – trabalhar fora de casa (família de dupla carreira). Apesar disso, grandes responsabilidades domésticas continuam a recair sobre a mulher. 


A família moderna é um espaço onde a afetividade e partilha de sentimentos são predominantes; a criança passa a ser o centro da família e é considerada como o fruto do amor dos pais – um filho desejado. Os pais investem na formação escolar dos filhos para que eles possuam diplomas que lhes permitirão a mobilidade social. Desta forma, a dependência material e afetiva entre filhos e pais é prolongada. 


Para além disso, as relações entre pais e filhos são baseadas na negociação e no diálogo. Isto orienta as crianças no sentido de as deixarem construir as suas próprias experiências, transmitindo-lhes valores de autonomia e sensibilidade que resulta no desenvolvimento das suas potencialidades. Podemos evidenciar que a modernização dentro das famílias desempenhou um papel importante no desenvolvimento da personalidade dos indivíduos, uma vez que os filhos ficam mais próximos dos pais, eles podem ter uma discussão mais livre e franca sobre os seus problemas, opiniões e pensamentos - o que ajuda no melhor desenvolvimento de sua personalidade.  


Estas mudanças foram extremamente benéficas, uma vez que a maior qualidade do relacionamento dos adultos e a proximidade das relações entre pais e filhos estabelece uma verdadeira harmonia. Todos os membros da família têsegurança emocional e são valorizados de igual forma, em virtude de não haver relações hierárquicas dentro de casa. Apesar deste modelo de família ter beneficiado as novas gerações, admite-se que a modernização inflige facilmente sentimentos de solidão e insegurança física e psicológica nas gerações mais velhas, que cresceram dentro de um ambiente tradicional e têm dificuldades a adaptar-se a esta nova realidade. 

 

 

 

Bibliografia: 

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