sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021

Socialização

A socialização é um processo dinâmico através da qual os indivíduos, ao longo da sua vida, aprendem e interiorizam os valores, as regras e as práticas do meio social a que pertencem.  Assim sendo, quando nascemos, encontramo-nos numa família, existente numa determinada sociedade, com a sua língua, valores, hábitos, tradições e práticas sociais, que nos são ensinadas num processo permanente e contínuo. Este processo contribuirá para a formação da personalidade do indivíduo.

O processo de socialização, ainda que bastante importante na infância e na adolescência, está presente durante toda a vida dos indivíduos. Ou seja, os indivíduos são influenciados pelo meio social que estão inseridos, o que os leva a modificarem os seus comportamentos ao longo de todas as fases da sua vida. 

Após o nascimento, começamos a ser socializados e aprendemos a comunicar necessidades e desconfortos. Com o tempo, começamos a ser capazes de falar, andar, adquirimos valores como as primeiras noções do bem e do mal…

Podemos falar em dois tipos de socialização: Socialização primária e socialização secundária.
A socialização primária ocorre durante a infância e é onde aprendemos os valores fundamentais e as condutas básicas que nos permitem comunicar com os outros, como, por exemplo, a linguagem, as regras básicas da sociedade e os modelos comportamentais do grupo a que pertence. Esta socialização é transmitida de uma forma bastante afetiva.
A socialização secundária ocorre na idade adulta e é onde os indivíduos têm de enfrentar novas situações e de se adaptar às mesmas.

Sendo a socialização um processo permanente, exige uma constante atualização e adaptação a novas situações e diferentes contextos. As alterações na vida ou mudanças sociais colocam em causa os valores adquiridos e questionam normas e práticas sociais, obrigando, assim, a processos de (re)socialização.

Assim, ao longo da vida os indivíduos vão sendo moldados pela sociedade. Esta adaptação à sociedade designa-se por integração social.

O processo de socialização vem-se alterando ao longo do tempo, através das mudanças da sociedade e dos meios de comunicação. 

Ana Monteiro

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Socialização por antecipação



Na sociedade, por haver um vasta diversidade de grupos, um indivíduo – no decurso de sua vida social – participará em múltiplos grupos de diferentes tipos e dimensões, tais como, familiar, escolar e desportivo. 

Um grupo social é constituído por um conjunto de indivíduos que partilham objetivos e/ou interesses, interagem de forma regular e duradoura. Esta dinâmica, reconhecida por “grupo de pertença”,  leva a que os indivíduos construam uma estrutura e identidade próprias e que os seus membros desenvolvam um sentimento de pertença. 

Contudo, para além dos grupos de pertença, os indivíduos, frequentemente, aspiram a pertencer a outros grupos dos quais não são membros nem participantes (reconhecido como “grupo de referência”), geralmente por questões futurísticas e/ou de interesse genuíno. Com efeito, para se integrar nesta nova comunidade, os indivíduos são voluntariamente influenciados por este grupo de referência – algo que chamamos de “socialização por antecipação”.

Este conceito sociológico foi definido pela primeira vez pelo sociólogo Robert K. Merton e as suas origens baseiam-se num estudo de 1949 sobre os militares dos Estados Unidos. Este estudo revelou que os soldados rasos  que modelaram as suas atitudes e comportamentos pelo dos oficiais eram mais propensos a serem promovidos do que aqueles que não.

A socialização por antecipação constitui um processo voluntário - facilitado pelas interações sociais - no qual os não-membros aprendem a assumir os valores e padrões dos grupos aos quais aspiram ingressar. Durante a socialização por antecipação, o indivíduo passará por um processo de recolha de informações de uma determinada posição social, isto auxiliará o indivíduo a ter a certeza de sua decisão e facilitará a sua entrada no grupo, ajudando-os, dessa forma, a interagir com competência quando forem aceites por ele. 
Exemplos incluem: estudantes de direito aprendendo a  comportar-se como advogados, idosos preparando-se para a reforma, progenitores na expectativa de uma criança frequentando aulas maternas e paternas e indivíduos que esperam emigrar aprendendo uma nova língua. 


Jessica Martins




 

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