A socialização é um processo dinâmico através da qual os indivíduos, ao longo da sua vida,
aprendem e interiorizam os valores, as regras e as práticas do meio social a
que pertencem. Assim sendo, quando
nascemos, encontramo-nos numa família, existente numa determinada sociedade,
com a sua língua, valores, hábitos, tradições e práticas sociais, que nos são
ensinadas num processo permanente e contínuo. Este processo contribuirá para a formação
da personalidade do indivíduo.
O
processo de socialização, ainda que bastante importante na infância e na
adolescência, está presente durante toda a vida dos indivíduos. Ou seja, os
indivíduos são influenciados pelo meio social que estão inseridos, o que os
leva a modificarem os seus comportamentos ao longo de todas as fases da sua
vida.
Após o
nascimento, começamos a ser socializados e aprendemos a comunicar necessidades
e desconfortos. Com o tempo, começamos a ser capazes de falar, andar,
adquirimos valores como as primeiras noções do bem e do mal…
Podemos
falar em dois tipos de socialização: Socialização primária e socialização
secundária.
A socialização primária ocorre durante a infância e é onde
aprendemos os valores fundamentais e as condutas básicas que nos permitem
comunicar com os outros, como, por exemplo, a linguagem, as regras básicas da
sociedade e os modelos comportamentais do grupo a que pertence. Esta
socialização é transmitida de uma forma bastante afetiva.
A socialização secundária ocorre na idade adulta e é onde os indivíduos têm de
enfrentar novas situações e de se adaptar às mesmas.
Sendo
a socialização um processo permanente, exige uma constante atualização e
adaptação a novas situações e diferentes contextos. As alterações na vida ou
mudanças sociais colocam em causa os valores adquiridos e questionam normas e
práticas sociais, obrigando, assim, a processos de (re)socialização.
Assim,
ao longo da vida os indivíduos vão sendo moldados pela sociedade. Esta
adaptação à sociedade designa-se por integração social.
O
processo de socialização vem-se alterando ao longo do tempo, através das
mudanças da sociedade e dos meios de comunicação.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
Socialização
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021
Socialização por antecipação
Na sociedade, por haver um vasta diversidade de grupos, um indivíduo – no decurso de sua vida social – participará em múltiplos grupos de diferentes tipos e dimensões, tais como, familiar, escolar e desportivo.
Um grupo social é constituído por um conjunto de indivíduos que partilham objetivos e/ou interesses, interagem de forma regular e duradoura. Esta dinâmica, reconhecida por “grupo de pertença”, leva a que os indivíduos construam uma estrutura e identidade próprias e que os seus membros desenvolvam um sentimento de pertença.
Contudo, para além dos grupos de pertença, os indivíduos, frequentemente, aspiram a pertencer a outros grupos dos quais não são membros nem participantes (reconhecido como “grupo de referência”), geralmente por questões futurísticas e/ou de interesse genuíno. Com efeito, para se integrar nesta nova comunidade, os indivíduos são voluntariamente influenciados por este grupo de referência – algo que chamamos de “socialização por antecipação”.
Este conceito sociológico foi definido pela primeira vez pelo sociólogo Robert K. Merton e as suas origens baseiam-se num estudo de 1949 sobre os militares dos Estados Unidos. Este estudo revelou que os soldados rasos que modelaram as suas atitudes e comportamentos pelo dos oficiais eram mais propensos a serem promovidos do que aqueles que não.
A socialização por antecipação constitui um processo voluntário - facilitado pelas interações sociais - no qual os não-membros aprendem a assumir os valores e padrões dos grupos aos quais aspiram ingressar. Durante a socialização por antecipação, o indivíduo passará por um processo de recolha de informações de uma determinada posição social, isto auxiliará o indivíduo a ter a certeza de sua decisão e facilitará a sua entrada no grupo, ajudando-os, dessa forma, a interagir com competência quando forem aceites por ele.
Exemplos incluem: estudantes de direito aprendendo a comportar-se como advogados, idosos preparando-se para a reforma, progenitores na expectativa de uma criança frequentando aulas maternas e paternas e indivíduos que esperam emigrar aprendendo uma nova língua.
Jessica Martins
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