A nossa educação é a base de quem somos, uma vez que cada decisão que tomamos durante a vida depende do nosso conhecimento.
Será o sistema educativo atual o mais benéfico para a sociedade em que vivemos ou estará inadequado às nossas necessidades?
Podemos argumentar que o ensino escolar não está preparando os alunos para a vida, mas simplesmente para obedecerem e se conformarem com um conjunto de regras e preceitos. Durante as aulas, espera-se que os alunos façam - nada mais, nada menos - do que seguir instruções. Aqueles que as seguem são recompensados, enquanto que os que não se conformam são punidos. Esses valores são os mesmos que foram necessários durante a Era Industrial, porque o sucesso da produção em massa e, portanto, de uma fábrica, dependia de fazer exatamente o que estava previsto no processo. Apesar destes valores ainda serem úteis em muitas áreas profissionais, devemos também reconhecer o facto de que o mundo contemporâneo valoriza a criatividade, a competência de comunicação e a colaboração mais do que nunca, criando assim grandes lacunas no que deveríamos fazer e no que somos ensinados a fazer.
Os alunos não têm a possibilidade de explorar profundamente as suas áreas de interesse. Na maioria dos casos, essas restrições podem, mais do que inibir, impedir a aprendizagem.
Continuadamente, a adaptarem-se aos padrões impostos e monótonos, inúmeros indivíduos, ao longo de sua vida, perdem a sua criatividade natural e são incapazes de atingir o seu potencial máximo. George Land e Beth Jarman desenvolveram um teste para a NASA, que logo depois foi utilizado para medir o potencial criativo em faixas etárias diferentes. Ao realizar este estudo durante duas décadas, concluíram que a criatividade de um individuo diminui, numa média de 86%, dos 5 aos 15 anos.
Na perspectiva de Peter McAllister, resultante da sua experiência como professor, há três grandes características – claramente evidentes nos alunos: a mentalidade não conceptual, conveniência ética e falta de pensamento independente/critico. A “mentalidade não conceptual” explica que os alunos não consigam realmente integrar os conceitos que deveriam adquirir, não havendo uma compreensão abrangente de um assunto, pois, ao invés de compreender a matéria, simplesmente o memorizam.
Este facto está relacionada com a “conveniência ética”, uma vez que frequentemente se utilizam atalhos para os objetivos de curto-prazo (como memorizar ao invés de aprender e copiar). Ademais, a “falta de pensamento independente” vê-se no modo como os alunos deduzem e tiram conclusões, pois raramente confiam no seu próprio raciocínio - em vez disso, eles tendem a confiar nas ideias e conceitos adotados pelo grupo e professor(a).
A nossa aprendizagem não é autêntica, o sistema define um conjunto genérico de conhecimentos que todos devemos saber e, em seguida, somos avaliados pelo que conseguimos reter, com base numa série de testes. Para além disso, o facto de sermos indivíduos com capacidades, interesses e estilos de aprendizagem diferenciados, não é reconhecido. Consequentemente, pretende valorizar o domínio da eficiência, mas promove-se a compreensão incompleta dos conteúdos das disciplina. Assim, como numa fábrica, os alunos são "bons ou maus produtos". No entanto, vão trabalhando e avançando na abordagem das matérias, quer as tenham aprendido ou não, havendo várias lacunas no seu conhecimento.
Outro tópico evitado é a saúde mental. Estima-se que metades dos problemas mentais começam aos catorze anos e que cerca de uma em cada quatro pessoas será afetada por distúrbios psicológicos em certa fase na vida. Com estas mudanças, o individuo terá mais dificuldade em lidar não só com a vida escolar mas também com a vida familiar e social. Infelizmente, nas escolas, não há muitos recursos disponíveis para lidar com estas situações. Isto faz com que os resultados académicos sejam a prioridade e alguns alunos sofrem de “burnout”.
Para concluir, creio que há imensas falhas no sistema educativo. Durante o último século, o mundo evoluiu de uma forma mais rápida do que o esperado. Verificaram-se diversos avanços mas o sistema de ensino não os acompanhou. Portando, a escola não consegue responder às necessidades dos alunos, uma vez que está desatualizada e precisa de uma forte renovação.
Este texto é um breve sumário do que considero importante reconhecer, encorajo-te a refletir sobre este tema, de modo a formulares o teu próprio posicionamento.
Jessica Martins
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