terça-feira, 2 de março de 2021

Comportamentos Desviantes

 A Sociedade e o Indivíduo-Comportamentos Desviantes

O ser humano, já dizia Aristóteles, “é um animal político” e, nesse sentido, foi feito, não para viver sozinho, mas sim para viver em sociedade. A partir do momento em que nasce, a criança irá passar por várias fases de crescimento e desenvolvimento, as quais terão presentes momentos de aprendizagem por tentativa e erro, e momentos de imitação e até identificação, estes que são conhecidos como mecanismos de socialização.          

Assim, também os agentes de socialização terão um papel importante na vida da criança que se tornará mais tarde um adolescente, um adulto e um idoso. Começando pela família, passando pelos amigos e pelas várias instituições que a acompanharão ao longo da vida, todos esses grupos de pessoas irão contribuir para a formação do individuo, havendo necessariamente regras e normas que devem ser respeitadas em sociedade. Ora, o que sucede muitas vezes é exatamente aquilo que não seria desejável que acontecesse e que extrapola as expectativas sociais relativamente ao comportamento de cada indivíduo. A isso, a Sociologia chama comportamentos desviantes, já que o ato desviante em si, além de não ser o comportamento esperado, poderá violar as regras sociais, em diversos graus, mais ou menos explícitos.  

Existem diferentes pontos de vista relativamente à questão dos comportamentos desviantes.  Para os sociólogos Durkhin e Robert Merton, o comportamento desviante pode ocorrer por ausência de lei, conflito de normas ou ainda desorganização social.  Isto porquê? Segundo Durkhin, poderá existir uma causa comum que explique os comportamentos desviantes e essa causa reside no facto de o Homem ter desejos ilimitados, que acabam por se ver condicionados pelas regras que uma sociedade lhe impõe. Portanto, por vezes, algumas mudanças mais bruscas que se operam na vida de um individuo poderão justificar uma transformação no seu comportamento, que geralmente é visto como um comportamento desviante, exatamente porque não se enquadra dentro dos limites do socialmente expectável ou aceitável.      

Vejamos agora alguns exemplos que nos mostrarão melhor o que realmente se pode entender por comportamento desviante. Todas as crianças têm tendência para imitar os adultos, numa primeira etapa os pais e posteriormente os irmãos, os avós, os tios, entre outros.  Porém, sendo os pais os primeiros modelos dos filhos, tudo aquilo que estes disserem ou fizerem, desde as suas atitudes até ao registo de linguagem utilizado, acabará por marcar positiva ou negativamente o desenvolvimento da criança, nomeadamente a sua autoestima, as suas escolhas e principalmente as suas ações. Muitos são aqueles que dizem que “A educação começa em casa” e “De pequenino é que troce o pepino “, o que embora seja verdade está também condicionado por outros fatores que terão influência na formação da personalidade do individuo, como é o caso da escola dos amigos e do grupo de pares.  

Alguns estudos mais recentes mostram que crianças que não tiveram o devido acompanhamento na infância e no período do pré-escolar se vieram a revelar alunos com pouca autoestima e fracos resultados. Aliás, também são conhecidos vários casos de jovens que, na fase mais conturbada da adolescência, enveredaram pelos piores caminhos, começando a consumir álcool e drogas e alguns dedicando-se até a atividades criminosas.     

Estes comportamentos desviantes, que o são exatamente por não corresponderem ao esperado, poderão derivar de outros problemas, familiares ou não familiares, que inevitavelmente desviam os jovens do seu percurso normal de vida. Evidentemente, não são só os jovens que o fazem e nem sempre isso pode ser visto como um ato de rebeldia. Inegavelmente, as estatísticas mostram que na fase adulta, sobretudo quando surgem dificuldades financeiras, por desemprego ou separação de conjugues ou ainda por motivos de doença, alguns adultos acabam por tomar certas atitudes, por exemplo, passar a ter um comportamento violento com os filhos ou até roubarem para conseguir fazer face as despesas assumidas. 

De um modo geral, ter um comportamento desviante nem sempre é visto de forma negativa, pois existem algumas exceções. Pensemos no caso daqueles alunos que não se esforçam minimamente ao longo do ano, tendo comportamentos agressivos e de má educação para com os colegas e professores, mas no final do ano letivo, por diversos motivos que não interessam neste contexto explorar, acabam por transitar de ano. Será que este comportamento desviante foi devidamente penalizado no fim? E aqui está a questão. Será que todo e qualquer comportamento considerado desviante deve ser penalizável? Ou devemos apenas tentar compreender e aceitar os motivos que levam um determinado individuo a praticá-lo reiteradamente. Deixo essa questão em aberto para que possam refletir sobre este assunto.    

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 Maria Ferreira 

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