No nosso dia a dia, interagimos com várias pessoas em diferentes locais, podendo ser estes os que frequentamos habitualmente como a escola, a casa e o emprego ou os ocasionais tais como durante um percurso para, por exemplo o cinema, um espetáculo ou uma simples saída para a rua. Este procedimento de convivência das pessoas, umas com as outras, intitula-se por interação social. Apesar do relacionamento com diversos indivíduos, só com parte deles é que mantemos uma relação constante, como a relação que o estudante estabelece com os seus colegas de turma, com a sua família, e amigos. Este pequeno grupo com quem interagimos de forma duradoura, contínua e direta denomina-se por grupo social.
As interações podem acontecer em espaços distintos e em circunstâncias de caráter formal, como é o caso de uma entrevista de emprego, ou de caráter informal como nos transportes públicos, ou em concertos.
Existem três entidades importantes no estudo da interação social, usando o modelo dramatúrgico: os dois atores (ou personagens) e a audiência ou público. A projeção de uma certa impressão e a interpretação dessa mesma estabelecem dois momentos fundamentais no processo de interação. Mesmo em situação de silêncio, o ator não deixa de transmitir uma impressão. Erving Goffman, sociólogo, disse: “Os atores podem deixar de se expressar, mas não podem impedir-se de exprimir alguma coisa”. Existe então uma ênfase nos processos de comunicação e na mediação exercida pela linguagem.
Quando os jovens se olham, temos uma interação focada, embora sem diálogo. Mas sabemos como o corpo se expressa, isto é, falam as posturas, falam os gestos, falam os silêncios. Nestas situações de comunicação não verbal, a impressão obtém um significado acrescido, o que a remete para o seu carácter eminentemente simbólico.
A interação é não focada no caso da fila numa paragem de autocarro ou do constrangimento numa situação de elevador. Aparentemente não há comunicação e Goffman fala de uma “desatenção civil” que permite constantemente às pessoas prosseguirem as suas rotinas sem se preocuparem com aquilo que podem causar ou receber dos outros. A conversa é o tipo de interação focada mais frequente, onde os agentes sociais comunicam falando entre si. Nessas situações, apelidadas por Goffman de “encontros”, é fulcral o contexto ou cenário de interação. É completamente diferente duas pessoas conversarem entre si num parque ou numa aula, perante o controlo e olhar do professor.
Goffman considera as fachadas ou “regiões da frente” - visíveis, sujeitas ao controlo social, com regras de “educação” e modelos de apresentação e de comportamento mais ou menos rígidos. Os bastidores ou “regiões de trás” - são onde os comportamentos são mais descontraídos, o controlo social é muito menos apertado e certas ações, com possibilidade de sanção nas fachadas, podem surgir por serem muito mais “invisíveis”. Tomando como exemplo a nossa escola, potenciais regiões de fachada são a sala de aula, a biblioteca etc... Já como bastidores, temos por exemplo a sala dos alunos, lá fora (à frente da escola), atrás do pavilhão desportivo, nos corredores dos blocos e no bar da escola.
Francisca Coelho, 12ºD.

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