segunda-feira, 24 de maio de 2021

Ambiente - riscos e incertezas

 

 

Na base de agressões à natureza e ao ambiente estão os modelos de desenvolvimento industrial, que sempre promoveram o consumo crescente de bens e serviços, descartando as consequências que daí poderiam resultar a nível da natureza.


Questões que habitualmente estão associadas às agressões ao ambiente são: 


  • a redução do efeito de estufa devido à produção de dióxido de carbono (CO2), o que tem levado ao aquecimento global do planeta;

  • a destruição da camada de ozono devido à emissão dos clorofluorcarbonetos - CFC (utilizados, por exemplo, nos sistemas de ar condicionado, sprays e sistemas de refrigeração frigorífica); este gás tem como função proteger a Terra das radiações ultravioleta do Sol, estas que são muito violentas para os seres humanos; 

  • a poluição, como a contaminação da água potável devido aos esgotos, aos efluentes, ao depósito de resíduos tóxicos e nucleares nos oceanos, ao uso de pesticidas na agricultura, etc.  

  • redução da biodiversidade devido à delapidação dos recursos naturais, como, por exemplo, a extinção das espécies animais e vegetais resultante da destruição de florestas, do avanço da construção urbana ou da caça sistemática de espécies animais. 


O ser humano tem estado perante a ameaça de riscos, desde que vive em sociedade. A diferença é que antes os riscos eram externos, isto é, tinham causas naturais, por exemplo, as secas e os terramotos. 

Hoje em dia, os riscos são, maioritariamente, resultantes da ação humana sobre a natureza. Embora ciclones, terramotos e inundações ainda ocorram nas sociedades atuais, o que as caracteriza são, por exemplo, as ameaças ecológicas, não sendo a sua origem apenas ligada ao ambiente natural, mas às ameaças decorrentes do impacto da industrialização sobre o meio ambiente, isto é, os riscos manufaturados.

Porém, o desenvolvimento industrial também está ligado ao aparecimento de outros riscos manufaturados, nomeadamente os que têm a ver com: 


  • a saúde - por exemplo, a atividade industrial emite gases que têm provocado a rarefação da camada de ozono, tornando prejudicial para a saúde uma longa exposição ao sol. 

  • o consumo - de produtos alimentares, que podem não ser seguros porque foram utilizados antibióticos na produção animal e pesticidas químicos e herbicidas na agricultura ou porque são geneticamente modificados.


Na sociedade atual, os problemas ambientais não estão limitados espacialmente, são globais, afetando todos os países e todas as pessoas. Tomemos como exemplo a rarefação da camada de ozono, esta tem impacto a nível mundial. Os elevados padrões de consumo dos países industrializados, bem como o processo acelerado da globalização, trazem consequências imprevisíveis e incontroláveis, aparecendo novas formas de agressão, diferentes das anteriores. 

Tendo isto em conta, os governos e os próprios organismos internacionais (como a União Europeia) começaram a tomar medidas no sentido de fiscalizar as atividades poluidoras, impor regras de fabrico e utilização de tecnologias não poluentes, e a definir políticas para ir ao encontro de soluções que recuperem o equilíbrio ambiental. No entanto, apesar de todas as medidas, políticas e acordos feitos entre países, não foram até agora considerados suficientes. 


Os riscos ecológicos são uma grande ameaça para o ambiente e para a saúde humana. Por exemplo, o aquecimento global, com as consequências já conhecidas das mudanças climáticas e do degelo das calotas polares, irá implicar a subida do nível das águas do mar e constituirá uma ameaça às populações residentes nas zonas costeiras. 

Assim, concorrem para a formação de uma sociedade de risco global (Ulrich Beck). 

O facto dos problemas ambientais serem globais tem levado ao aparecimento de movimentos sociais globais (como os movimentos ecológicos, que tentam alertar a opinião pública mundial para os problemas ambientais, divulgando de imediato através dos meios de comunicação) ou que, pelo menos, mesmo sendo locais, reivindicam a solução de problemas que têm implicações globais. 

O Fórum Económico Mundial considera que podemos integrar os riscos globais em cinco grandes grupos: económicos, ambientais, geopolíticos, sociais e tecnológicos. 

Nos riscos económicos temos como exemplos as crises fiscais e de liquidez, as falhas dos mecanismos e das instituições financeiras, os choques dos preços do petróleo, o desemprego crónico e a insuficiência de infraestruturas físicas das quais a atividade económica depende. Nos riscos ambientais temos, por exemplo, os desastres naturais (terramotos e tempestades geomagnéticas), os riscos manufaturados como o colapso dos ecossistemas, a escassez de água doce, acidentes nucleares e a perda da biodiversidade. Quanto aos riscos geopolíticos temos o terrorismo, os conflitos entre Estados, o crime organizado e comércio ilícito. Nos Riscos Sociais temos como exemplos as grandes disparidades de rendimento, ameaças à saúde pública, crises alimentares e disfuncionalidades das cidades. Por fim, temos os riscos tecnológicos como os ataques cibernéticos, a perda e roubo de dados, entre outros… 






Francisca Coelho, 12ºD. 

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